O que é lifelong learning e qual a sua importância?

Se você tem mais de 40 anos, talvez se lembre de ouvir, quando era mais jovem, que alguém tinha “terminado os estudos”. Significava que a pessoa tinha concluído a graduação e pegado seu diploma, que possivelmente seria emoldurado e pendurado orgulhosamente na parede. Por outro lado, hoje lifelong learning se tornou uma realidade irreversível.

Caso seja ainda um pouco mais velho, por volta dos 60 anos, pode ser que “terminar os estudos” significasse, na verdade, concluir o ensino colegial, que atualmente equivale ao ensino médio. Se pensarmos que as crianças entravam na escola com 7 anos e chegavam ao fim do colegial com 18 anos, eram apenas 11 anos nos bancos escolares.

Acontece que o mundo mudou e não foi pouco, não. Vivemos na era da ciência e da tecnologia, ambas altamente avançadas. Para encontrar seu lugar ao sol, é preciso se manter atualizado, em um processo constante de aprendizagem que vai muito além da educação formal. É a isso que se dá o nome de lifelong learning.

Neste artigo, vamos ver esse conceito com mais detalhes e entender sua importância tanto para o mercado de trabalho quanto para a realização pessoal. Acompanhe!

O que é lifelong learning?

Vamos olhar um pouco para a vida de quem se destaca em alguma área. Um exemplo é Silvio Meira, um dos fundadores do Porto Digital, em Recife, considerado o maior parque tecnológico do país.

Nascido em 1955, Meira concluiu sua graduação em Engenharia Eletrônica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) em 1977, depois o mestrado em Ciência da Computação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1981 e, por fim, o doutorado, também em Ciência da Computação, na Universidade de Kent, nos EUA, em 1985.

Em 2008, ajudou a fundar o Instituto Nacional de Engenharia de Software e, entre 2012 e 2014, foi pesquisador visitante da Universidade de Harvard. Também é cofundador do instituto de inovação CESAR e membro dos conselhos de administração da B3 e da Magazine Luiza.

Tudo bem, não dá para todo mundo ser um Silvio Meira, por vários motivos, mas está claro nessa trajetória que usamos apenas como exemplo que alguém que quer realmente se destacar nunca para de estudar, seja por meio da educação formal, acadêmica, seja simplesmente procurando saber mais sobre um assunto.

É dessa forma que formamos repertório. Assim, se você é um analista de sistemas, por exemplo, precisa se atualizar constantemente sobre a sua área. Isso, porém, não é o suficiente. Para expandir seus horizontes, ser capaz de fazer conexões e inovar, é preciso também sair da sua área, ler sobre outros assuntos, ter outros interesses.

Nós vivemos numa era que está sendo denominada mundo VUCA (Volatile, Uncertain, Complex and Ambiguous), ou seja, volátil, incerto, complexo e ambíguo. O volume de informações nunca foi tão grande e a velocidade das mudanças é assustadoramente rápida. Para dar conta desse cenário — mesmo que apenas parcialmente —, precisamos desse aprendizado contínuo.

É disso que se trata o lifelong learning, uma ideia de que estudar e aprender é para a vida toda e que não existe substituto para o conhecimento.

Como a tecnologia pode ajudar?

Nossa geração conta com o benefício inédito de ter todo o conhecimento do mundo na palma da mão. Basta pegar seu smartphone conectado à internet e você consegue ter acesso a absolutamente tudo: é possível assistir a cursos de Harvard, aprender idiomas, visitar bibliotecas e museus, passear virtualmente cidades contemporâneas e da Antiguidade, aprender a programar e o que mais você imaginar.

Qualquer que seja o seu interesse, você vai encontrar conteúdos, tutoriais e cursos nos mais diversos formatos, pagos ou gratuitos. Não há exemplo maior de democratização do conhecimento do que esse. Antes da internet, só tinha acesso aos melhores cursos quem morava nos grandes centros urbanos dos países mais desenvolvidos. Agora, basta ter vontade de aprender.

Quais são os benefícios do e-learning para o lifelong learning?

Os cursos oferecidos em meios digitais são um dos principais responsáveis por essa democratização do conhecimento. Pense, por exemplo, em um grande banco, com milhares de agências e funcionários espalhados por todo o país. Como oferecer treinamento para todas essas pessoas?

Alguns bancos têm agências em mais de 4 mil cidades. É inviável montar um treinamento presencial para todos. Sem contar o fato de que seria preciso deslocar todos os colaboradores para a sala de aula, o que leva a um outro problema: quem atenderia o público?

O e-learning resolve a questão. Cada um acessa o curso no horário que pode, no seu próprio ritmo, além dos custos sensivelmente mais baixos para a empresa. Uma das consequências é que a companhia pode oferecer um número maior de cursos, melhorando a capacitação da equipe.

Como a gamificação ajuda nesse processo?

Se você gostar de jogar videogame ou qualquer outro jogo, sabe que, quanto mais joga, mais habilidade adquire naquilo. Assim, consegue avançar para os níveis mais difíceis. Os games conseguem fazer uma coisa que a escola tradicional dificilmente consegue: prender sua atenção e fazer com que você sinta prazer naquilo.

Ele faz isso tornando cada fase ligeiramente mais difícil do que a anterior, ou seja, ao passar de fase, você vai usar os conhecimentos já adquiridos nas etapas anteriores e também vai ser apresentado a um pequeno desafio novo, que terá que vencer. Superado esse desafio, você recebe uma recompensa e passa para o próximo nível.

Todo esse conceito pode ser usado na educação. Pense em como isso é diferente do método tradicional de educação. Antigamente decorávamos as capitais de cada estado do país e acabava nisso. Além de ser pouco interessante, como esse conhecimento não era usado para mais nada, acabava se perdendo.

É muito diferente, por exemplo, de um game em que você é chamado para construir um mundo inteiro que pode ser um dos estados do país e é preciso construir a capital, colocar o que existe nela, como são as pessoas, o que existe naquele lugar, superar desafios para conseguir aquele objetivo etc.

Como as escolas se inserem nesse contexto?

As escolas focadas em transmitir conteúdos aos alunos ainda são bastante comuns. Nesse modelo tradicional, vemos os alunos enfileirados, de frente para o professor, que é o detentor do saber e vai passá-lo aos estudantes, que, por sua vez, devem absorver tudo de forma passiva.

O problema, como dizem, é que se esqueceram de combinar com os russos. Os estudantes de hoje são pessoas totalmente conectadas, com um celular na mão, que podem procurar qualquer coisa na internet e para quem não faz o menor sentido decorar todas as capitais do país.

Então, qual é o papel da escola atualmente? É fazer com que o aluno consiga criar conexões entre o que ele aprende ali e a realidade, além de desenvolver habilidades emocionais, as soft skills, tão necessárias no mercado de trabalho moderno.

É por isso que as chamadas metodologias ativas trabalham com o conceito de que o conteúdo deve ser estudado previamente e o momento de sala de aula é para o desenvolvimento de atividades e projetos, que vão servir para tornar esse conhecimento tangível e integrado. De preferência, os trabalhos são feitos em grupo, tornando a experiência do aprendizado muito mais próxima do que o que ele vai encontrar no mercado de trabalho.

Como o lifelong learning beneficia a carreira profissional?

Segundo a Lifelong Learning Council Queensland (LLCQ), uma instituição que dissemina o conceito ao redor do mundo, o conceito tem por base quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.

É preciso aprender a conhecer, combinando uma cultura geral ampla com o estudo, em profundidade, de um número reduzido de assuntos. Pensando na carreira profissional, isso significa ter conhecimento profundo da sua área de atuação, ao mesmo tempo em que cultiva curiosidade pelo mundo e mantém uma cultura geral ampla. 

Isso nós sabemos como se adquire: viajando, conversando com pessoas interessantes, frequentando eventos, lendo livros, vendo filmes e séries, aprendendo um novo idioma ou instrumento musical etc.

Como manter o lifelong learning?

Embora uma curiosidade geral seja, de fato, uma característica desejável, é importante sistematizar um pouco o que queremos aprender. Para isso, pense onde você quer chegar e quais conhecimentos ou habilidades você precisa desenvolver para isso. Esse vai ser o seu foco.

Não estamos falando necessariamente de conhecimentos técnicos. Se a timidez, por exemplo, atrapalha seu crescimento, você pode considerar formas de aprender a lidar com ela, como fazendo aulas de teatro. É importante que isso seja automotivado, ou seja, precisa partir de você mesmo, de forma voluntária, porque é para a sua própria vida. Além disso, deve ter um propósito, que pode ser pessoal ou profissional.

Agora você já sabe o que é lifelong learning e pode traçar seus planos para o futuro, mantendo-se sempre atualizado.

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