IMPOSTOS: VOCÊ SABE O QUE ESTÁ PAGANDO?

Que a carga tributária imposta ao trabalhador brasileiro é extre- mamente alta, não resta dúvidas. É sensação unânime em diver- sos setores da sociedade, desde assalariados às pessoas jurídicas.

Outra questão comum a qualquer pagador de impostos é a falta de esclarecimento sobre o que está pagando. Tributos como IPVA, IPTU, ICMS, entre outros embutidos em toda a cadeia produtiva, distanciam o trabalhador do conhecimento sobre o que está pagando.

Para trazer a noção do peso dos impostos para o brasileiro, não é preciso ir além de algumas contas básicas. Estima-se que cerca de 42% dos ganhos dos trabalhadores são dedicados apenas a pagar impostos, ou seja, os brasileiros trabalham mais de cinco meses por ano para arcar com as obrigações impostas pelo sistema tributário do país. Se, por si só, esse número não impactasse a percepção dos cidadãos quanto ao peso do que é cobrado, talvez fosse mais tangível trazer esses números para valores cotidianos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geogra a e Estatística (IBGE), a renda média do brasileiro é de R$ 2.100/mês; des- contados os 42% da carga tributária, seu poder de consumo cai para cerca de R$ 1.218/mês. Se o trabalhador não tem acesso a serviços bási- cos, como educação e saúde, seu poder de consumo ca ainda menor.

Apesar de simples, essa conta não é feita com frequência pela maioria dos trabalhadores, que desconhece esses dados. O reduzido

poder de compra é uma percepção mais concreta. Fica evidente na sensação de ter gastado boa parte do orçamento familiar em uma ida ao mercado, saindo com poucas sacolas, ou abrindo mão do consu- mo de produtos e serviços habituais, porque o aumento dos impos- tos, ainda que em parte da cadeia, eleva signi cativamente seu preço nal. Se os brasileiros sentem que sua remuneração não re ete sua capacidade de compra, os varejistas também sentem retração nas vendas em seus estabelecimentos.

O desconhecimento sobre a cascata de impostos que incidem nos produtos comercializados no Brasil não é exclusivo dos consumidores, uma vez que nem mesmo os comerciantes compreendem os tributos incluídos no preço de seus produtos. Como a incidência de tributos ocorre em diversas etapas e é regida por normas complexas, é comum que as empresas recorram a contadores para administrar as questões tributárias. Ganha-se respaldo de segurança e perde-se o conhecimento exato dos impostos que estão sendo pagos. Outros países que adota- ram o imposto único são exemplos de como é mais claro, tanto para em- presários quanto para consumidores, perceber quanto estão pagando de imposto. Nos Estados Unidos, é comum que o preço do produto seja exposto sem o valor do imposto, que é aplicado no caixa. Com alíquota xa e conhecida, os consumidores têm consciência de quanto foi adi- cionado à compra, ou seja, quanto imposto incide naqueles produtos.

Compreender a carga tributária e os impactos que ela causa é fun- damental para entender o papel que exerce na redução do poder de compra dos consumidores e na retração do faturamento do comércio. Regras mais simples e transparentes tornam o conhecimento mais aces- sível para a população, que terá, inclusive, mais poder para cobrar o retorno do que é pago.

 

Carolina Smith

Graduada em Relações Públicas pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), empresária e vice-presidente da CDL Jovem de Salvador.

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