Fintechs: quem está transformando o mercado financeiro?

Nos últimos anos as Fintechs ganharam força, popularidade, espaço e notoriedade. Alguns nomes são bastante conhecidos, como Nubank e GuiaBolso, entre outros.

Vemos também movimentos de empresas como a Rappi caminhando para se amadurecer como uma Fintech. Num primeiro momento, ela até pode parecer uma startup de entrega e logística. Mas o serviço Rappi Pay é uma prova de como está mudando seu formato.

Além disso, Sebastian Mejia, fundador da Rappi, afirmou que a empresa tem pretensão de se tornar a maior Fintech do Brasil. A afirmação foi feita quando a empresa recebeu seu mais recente aporte, no valor de US$ 200 milhões.

Nossa central de inteligência, o Dataminer, produziu um estudo detalhado sobre esse universo, o Inside Finetch 2020, que você pode acessar clicando no botão abaixo. O relatório fornece uma leitura atualizada do mercado e seus movimentos, informações importantes para que você aproveite oportunidades de negócios, consiga tomar decisões estratégicas e aprimore seus conhecimentos sobre inovação e tecnologia aplicadas a finanças.

Neste artigo vamos entender melhor como funciona o mercado de fintechs e qual o seu panorama no Brasil e no mundo. Acompanhe!

O conceito por trás da palavra Fintech

O termo Fintech apareceu pela primeira vez nos anos 80. A expressão nasceu quando o jornalista Peter Knight juntou as palavras Financial e Technology para dar nome a uma coluna sobre negócios no jornal britânico The Sunday Times. Na época, Peter usava o termo para se referir a operações de back-office de bancos tradicionais.

Além disso, por volta de 2007, uma série de empreendedores percebeu a oportunidade de oferecer serviços financeiros. Eles sabiam que os bancos não estavam dispostos a ofertar diversos desses serviços e, por isso, fizeram da tecnologia uma aliada à operação do negócio.

Dessa maneira, começaram a surgir as empresas que chamamos atualmente de Fintechs. O termo Fintech engloba diversos tipos de empresa que usam inovação tecnológica. Elas oferecem algum serviço financeiro e têm em seu DNA o foco em inovação.

Além disso, por terem custos operacionais bem menores do que as instituições financeiras tradicionais, as Fintechs conseguem oferecer serviços alternativos. Assim elas atendem as necessidades que os bancos não conseguem suprir.

Portanto, é importante que você saiba que as Fintechs não são apenas bancos digitais como Neon e Nubank. São negócios que trazem inovações e usam a tecnologia para criar soluções em áreas como câmbio, cartões, criptomoedas, funding, negociação de dívidas, seguros, meios de pagamento, risco e compliance,  e até negócios sociais como educação financeira.

O mercado financeiro não será o mesmo após as Fintechs

De acordo com o Ricardo Anhesini, sócio-líder de serviços financeiros da KPMG, o Brasil vive o melhor momento para o desenvolvimento de Fintechs. Entre várias características, está o fato de que o nosso mercado é desproporcionalmente grande se comparado com a realidade de outros países.

Além disso, para ele, há alguns elementos que estimulam esse ecossistema, como:

  • tecnologia avançada;
  • regulação adequada;
  • consumidores empenhados em valorizar soluções inovadoras e disruptivas.

As perspectivas positivas também estão no fato de os modelos de negócios das Fintechs serem incorporados por organizações de grande porte. Os bancos, por exemplo, estão investindo pesadamente na digitalização de serviços e parcerias com fintechs são executadas para as instituições financeiras se tornarem mais competitivas.

Panorama das fintechs

No relatório Inside Fintech 2020 mostramos um pouco como está a evolução do setor no Brasil e no mundo.

Investimentos no mundo

O número de investimentos em fintechs ao redor do planeta vem crescendo consistentemente e bateu seu recorde no terceiro trimestre de 2019, quando atingiu US$ 77,1 bilhões.

Investimentos na América Latina

A região vem despontando como um mercado aquecido para o setor, devido a três fatores:

  • implementação de novas políticas dos órgãos regulatórios em direção ao funcionamento do open banking;
  • grande penetração da internet (66%, acima da média mundial, que é 53%) e mobile (previsão entre 63% e 75% em 2019);
  • crescimento do número de investidores atuando no setor.

Abertura de fintechs no Brasil

O Brasil tem uma participação forte nesse cenário. Apenas em 2017 foram abertas 120 fintechs no país. Atualmente, aquelas dedicadas a meios de pagamentos correspondem a 19,4% do total, formando a maior categoria, seguida por crédito (16,1%), risco e compliance (12,7%) e backoffice (11,1%).

As vantagens das Fintechs

Agora, alguém pode se perguntar por que ser cliente de uma fintech se é possível fazer qualquer tipo de transação financeira por um grande banco, com toda a segurança.

O fato é que o mercado bancário é formado por algumas poucas empresas, o que, sabemos, não costuma ser algo muito benéfico para os clientes. Nessas condições, há poucos estímulos para oferecer opções mais acessíveis aos clientes. Basta lembrar das altas tarifas cobradas pelas instituições financeiras e da baixa rentabilidade que oferecem aos clientes.

Além disso, os bancos são generalistas, ou seja, oferecem todo tipo de produto e serviço financeiro. É muito difícil ser o melhor em tudo, não é? Por isso a experiência do cliente com cada um desses serviços não é das melhores.

Por fim, os bancos são grandes instituições, que foram crescendo ao longo de muitos anos, muitas vezes por meio da aquisição de outros bancos. Por isso, os sistemas não são os mais avançados e ainda tiveram que ser interligados uns aos outros sem que tivessem sido feitos exatamente para isso. Dessa forma, não apresentam o melhor desempenho possível nem oferecem ao cliente a melhor usabilidade.

Foi nesse cenário que as fintechs surgiram. São empresas de serviços financeiros que usam o que existe de mais avançado para oferecer soluções inovadoras, disruptivas, mais acessíveis e que proporcionem a melhor experiência para o cliente.

A grande maioria das fintechs nasce com foco em um produto ou serviço específico, mas nada impede que ela cresça e passe a oferecer outras modalidades. Um caso muito conhecido é o Nubank, que surgiu como um cartão de crédito sem anuidade, com um aplicativo de qualidade muito superior ao que existia até então e um atendimento mais moderno e humanizado. Alguns anos depois, lançou a Nuconta, uma conta corrente totalmente digital, sem tarifas e na qual o dinheiro depositado ainda recebe um rendimento.

Segurança das fintechs

Quando o assunto é dinheiro, segurança é sempre um tema extremamente relevante. Todo mundo tem medo de colocar seus recursos em uma instituição desconhecida e ter algum problema com isso. Não é para menos.

A verdade, no entanto, é que as fintechs são tão reguladas quanto os bancos nas áreas em que atuam, ou seja, precisam adotar as mesmas medidas de segurança, de prevenção à lavagem de dinheiro, de compliance, de proteção aos dados dos clientes e assim por diante.

Além disso, instituições financeiras vivem de credibilidade. Esse é um dos ativos mais valiosos que possuem e, sem ela, os clientes vão embora na mesma hora. Por isso, é do interesse das empresas investir em segurança e passar essa imagem de confiança para o mercado.

Vale lembrar que bancos tradicionais já quebraram e deixaram seus clientes na mão. Por isso, quando pensamos em segurança, conta menos o fato de ser um banco ou uma fintech e mais entender se aquela empresa está seguindo os melhores padrões de governança corporativa.

Os eventos do ecossistema de Fintechs

Fintouch

É organizado pela Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e tem o objetivo de conectar Fintechs ao mercado, apresentando essas companhias a investidores, empresas e outras startups, aproximando os diferentes elementos do ecossistema.

Innovation Pay

É um evento totalmente dedicado a inovações em meios de pagamento e soluções financeiras no Brasil. Conta com palestras de algumas das figuras mais importantes do ramo, das grandes empresas a startups inovadoras.

Fintech View + Fintech Show

Organizados pela Cantarino Brasileiro, o FintechView e Fintech Show são um congresso e um espaço dedicados a mostrar Fintechs para o público e conectá-las com potenciais clientes para suas soluções.

No nosso estudo você confere o restante dos eventos que são realizados no Brasil e que impactam todo o mercado.

Associações e ecossistema

ABFintechs – Associação Brasileira de Fintechs

A ABFintechs surgiu com a proposta de ser uma rede de auxílio entre diferentes empresas da área de tecnologia financeira, com ações de autorregulação, impacto social e fomento a negócios.

ABCD – Associação Brasileira de Crédito Digital

Fruto da união de diversas startups do setor de crédito em 2016, a ABCD visa posicionar-se de forma a fomentar o mercado de inovação no crédito e criar políticas públicas que incentivem novos modelos de negócio na área.

Laboratório de Inovação Financeira

Projeto conjunto da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), criado para promover o debate e compartilhamento entre o setor público, privado e o terceiro setor no desenvolvimento de inovações financeiras que suportem o desenvolvimento sustentável do Brasil.

Cases de sucesso

Nubank

Não dá para falar de fintech no Brasil sem mencionar o Nubank. Fundado em 2014, chegou com seu cartão de crédito roxo, sem anuidade, com taxas menores do que a média de mercado e com a proposta de um serviço 100% digital.

Conquistou corações e mentes no Brasil e, no começo, tinha até fila de espera para conseguir um roxinho. Segundo a empresa, em fevereiro de 2020, mais de 12 milhões de pessoas já tinham um desses na carteira.

A fintech continuou crescendo e, em 2017, lançou a Nuconta, com a mesma proposta de ser totalmente digital, acessível inclusive para quem não é aprovado em análise de crédito, sem tarifa de manutenção e que promete um rendimento maior do que a poupança para o dinheiro depositado em conta corrente. Mais uma vez, a oferta encontrou uma grande demanda reprimida e, em janeiro de 2020, já contava com mais de 4 milhões de correntistas.

Não é à toa que o Nubank foi a terceira startup brasileira a virar um unicórnio, alcançando um valor de mercado de US$ 1 bilhão em 2018.

Contabilizei

A Contabilizei mudou a forma como se presta serviços de contabilidade no país. Automatizando boa parte das tarefas, a fintech conseguiu colocar no mercado um serviço com tarifas bem mais acessíveis do que as praticadas até então pelos contadores.

Além disso, oferece uma plataforma pela qual o cliente consegue consultar todos os documentos e realizar todas as rotinas necessárias com absoluta transparência. Com um modelo de negócio altamente escalável, que consegue atender até 60 vezes mais clientes do que uma firma comum, a Contabilizei encontrou um público de MPEs ávido por menos burocracia e para o qual os custos com contador eram muito altos.

O lançamento da plataforma se deu no início de 2014 e, em menos de dois anos, a Contabilizei já tinha 100 colaboradores, atendendo mais de 10 mil pequenas e médias empresas em 30 cidades.

Creditas

Atualmente, a Creditas é uma das principais plataformas de crédito online do Brasil. A fintech nasceu da surpresa de um espanhol, Sergio Furio, ao ouvir da namorada brasileira que os juros dos empréstimos no Brasil chegavam a 200% ao ano.

Sergio começou em 2011, com o BankFacil, a fornecer educação financeira com a ideia de criar uma máquina de geração de leads para as instituições financeiras tradicionais. Em um segundo momento, percebeu que havia uma oportunidade de usar os bens já quitados pelos brasileiros como garantias para os empréstimos realizados, reduzindo os riscos e, com isso, a taxa de juros.

Assim, fez uma parceria com um player tradicional que já oferecia essa modalidade de crédito e, usando a tecnologia para ganhar eficiência, montou uma plataforma digital de crédito com garantia. O negócio começou a ganhar corpo em 2013, com aportes do próprio Sergio e de amigos e ex-colegas.

Ao fim de 2016, já havia passado por duas rodadas de aporte de investidores e contava com um time de 110 pessoas. A empresa continuou crescendo e agregando novas formas de oferta de crédito. Terminou 2018 com uma carteira de R$ 500 milhões e 500 funcionários e, em 2019, chegou a quase 1.000 colaboradores.

Aqui, o grande diferencial foi usar a tecnologia para tornar o acesso ao crédito mais rápido, democrático e digital, com taxas mais baixas do que as oferecidas pelos grandes bancos.

Monetus

Monetus construiu uma carteira de investimentos diversificada para seus clientes, orientando-os em relação aos passos para atingir suas metas. Por meio de princípios de economia comportamental, teoria moderna de portfólio e machine learning, a Monetus auxilia seus clientes a entrar no mundo dos investimentos, dando acesso a aplicações antes restritas a indivíduos de alta renda e fornecendo ferramentas de planejamento financeiro para que aproveitem ao máximo seu dinheiro, podendo começar a investir com apenas R$100,00.

No Fintech Mining Report conversamos com Daniel Calonger, CEO da Monetus, para entender melhor como a Inteligência Artificial é usada para auxiliar os interessados a investir no mercado financeiro. “O grande diferencial de ter um robô para gerir seus investimentos é que ele consegue operar em cima das melhores caraterísticas dos grandes gestores: conhecimento profundo sobre o mercado financeiro, dedicação exclusiva ao processo de gestão e sangue frio. Essas características fazem com que você esteja sempre com o melhor portfólio”, afirma.

Primeiro hub de inovação exclusivo de fintechs, insurtechs e criptomoedas do Brasil

Localizado em Pinheiros, São Paulo, o Distrito Fintech é o primeiro hub de inovação voltado exclusivamente a Fintechs, Insurtechs e startups de Blockchain no Brasil. O prédio de quatro andares, com posição privilegiada na Av. Rebouças, conta com estúdios privativos bem como open spaces de coworking. Salas de reunião, salas de call, jardim para eventos, copa e café com self-checkout completam o ambiente.

Cofundado por Distrito, HDI Seguros e KPMG, o espaço visa não só oferecer um local para startups trabalharem como também uma forma de conectá-las ao mercado, seja por meio de investidores ou grandes empresas, que têm a opção de participar como mantenedores do espaço para ter contato direto com empresas inovadoras.

 

Matéria original: Distrito

Ler Anterior

Design Thinking e metodologia ágil são coisas do passado?

Ler o Próximo

Agora é fácil e gratuito buscar ou anunciar vagas em startup!

Deixe Seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *