Como os bancos e soluções financeiras estão inovando

Os bancos são considerados instituições tradicionais com grande poder de atuação no país. Eles possuem grande responsabilidade porque afetam grande parte da população, seja diretamente ou indiretamente.

Em 2019, o lucro acumulado de Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil foi de R$ 59,7 bilhões, o maior para o período pelo menos desde 2006. Já para o ano de 2020 há incertezas já que o mundo enfrenta uma crise devido ao avanço do coronavírus que afeta inclusive os bancos, que necessitam inovar ainda mais e pensar mais em soluções digitais.

Além disso, nos últimos anos diversos acontecimentos impactaram todo o ecossistema e mercado financeiro. Em 2013, o Banco Central mudou as regras e permitiu pagamentos sem o intermédio das instituições financeiras, o que deu a oportunidade para as fintechs passarem a oferecer serviços diferenciados.

Dessa forma, na época, foi criada uma série de regras que mudaram o mercado e novos emissores surgiram e ganharam espaço, como é o caso dos bancos digitais. Vimos o quanto essa postura impactou todo o cenário brasileiro, com o surgimento de startups com propostas totalmente inovadoras, como foi o caso da Neon, Nubank, Creditas e mais uma infinidade de instituições.

Se olharmos para o período a recessão de 2014 a 2016, a rentabilidade dessas instituições diminuiu um pouco, mas nada que afetasse tanto o crescimento. Nesse meio tempo, vimos a discussão na Europa envolvendo o Open Banking e sua regulação ganhando amadurecimento.

Em 2015, dentro dos limites da legislação da União Europeia, foi aprovado um documento que regulamenta e regulariza diversas questões relacionadas ao mercado financeiro. Isso fez com que todos os bancos europeus tivessem que se adaptar até 2018 ao Open Banking e facilitassem o acesso às suas APIs. Para entender melhor o que é Open Banking e sua regulamentação, recomendamos que leia nosso artigo completo sobre o assunto.

Dessa forma, percebe-se que o cenário e contexto do mercado financeiro está em constante mudança. Os próprios bancos veem a necessidade de inovar constantemente, como também desenvolver novos serviços focados em atender um cliente mais exigente.

Portanto, a pergunta que fica é: o que os bancos estão fazendo para inovar?

Aproximação do banco com as startups

O conceito de Inovação Aberta está relacionado à ideia de estar conectado com outros ecossistemas, aprender com empresas de fora que não sejam a sua. Grandes corporações tendem a estar muito focadas em seus processos, metodologias e abordagens.

Algo completamente diferente do que acontece com as startups justamente por estarem com a cultura em formação, moldando o modelo de negócio e construindo e desenvolvendo toda uma solução. Por esse motivo, grandes corporações tendem a buscar startups para aprender com elas.

Muitas corporações estão em processo de se conectar com startups, contratar serviços ou até incorporar esse tipo de negócio às suas operações. Isso já é uma realidade.

Atualmente, vemos muitas iniciativas dos grandes bancos brasileiros em se conectar com startups e até adquiri-las com o intuito de aprender com elas e se desenvolver. Afinal, a expertise, conhecimento de mercado e até a área de atuação dessas startups atraem as instituições financeiras que veem uma oportunidade.

Um exemplo é o caso da compra da Getnet pelo Santander. A compra realizada em 2014 e ano passado o banco que anunciou que irá adquirir 100% da empresa com a compra dos 11,5% do capital social dos acionistas minoritários da Getnet.

Após crescimento de 29,9% ano a ano, o market share da Getnet chegou a 12,5%, como divulgado em matéria da Infomoney, demonstrando que o volume total de crescimento da

indústria manteve o ritmo de crescimento de 2017. Isso demonstra que a estratégia do Santander de adquirir a empresa foi bem-sucedida.

Criação da própria comunidade de inovação

Os bancos perceberam que precisam estar inseridos nos ecossistemas de inovação. Aqui, no Distrito, falamos muito da importância da construção de uma comunidade, como também da definição dos valores e identidades disso.

Nos últimos anos, vimos o movimento das maiores instituições financeiras do Brasil em se posicionar nesse cenário o quanto antes. Algumas iniciativas são o Cubo, do Itaú; o InovaBra, do Bradesco; e o Farol Santander, do próprio Santander.

Esses espaços físicos como todo o mindset e cultura que foram criados em conjunto com eles ajudam a estabelecer uma comunidade em torno disso.

Posicionamento da marca do banco e apoio ao empreendedorismo

Uma das estratégias utilizadas pelos grandes bancos é demonstrar, divulgar e promover as suas ações na área de inovação e/ou empreendedorismo. É importante ter esse posicionamento, construir essa identidade para seu público para que essa imagem cresça no imaginário do seu cliente.

O Santander, por exemplo, ano passado lançou uma campanha com Rick Chester para falar sobre empreendedorismo, negócios e como fazer a sua empresa prosperar. A campanha repercutiu bastante na época pela abordagem simples e direta.

É importante que as empresas tenham esse tipo de posicionamento e demonstrem ao seu cliente como a marca quer ser vista.

Foque em nichos

Há alguns anos ninguém imaginaria que os grandes bancos começariam a criar suas próprias fintechs para se posicionar também nesse mercado e estar a frente dele.

Muitas vezes, a instituição financeira terá dificuldade de se inserir num setor ou segmento que está dominado por fintechs e bancos digitais. Afinal, eles possuem outro tipo de estrutura, cultura, modelo de negócio e posicionamento.

Nesse caso, muitos bancos estão optando por criar serviços e marcas paralelas às suas frentes de negócio para assim entender melhor do universo das fintechs e atingir um novo público.

O Super Digital, do Santander, tem esse objetivo de facilitar o acesso das pessoas desbancarizadas a contas digitais e é totalmente digital. O serviço já teve mais de 1,9 milhões de contas abertas.

Corporate Venturing

É um conjunto de práticas de investimento e criação de novos negócios, que se dá por meio de ações internas da empresa, como por exemplo por meio da conexão com startups. O Corporate Venturing tem como objetivo trazer inovações disruptivas e novos modelos de negócio para uma empresa que quer e precisa se reinventar tanto para ser mais competitiva quanto para se adaptar às transformações do mercado.

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